domingo, 26 de março de 2017

UM CONVITE AOS LEITORES!

                                  CARÍSSIMOS!

                                  Mais de 1300 textos circulam por este Blog, que é só para quem gosta de ler, pois não tem mais nada além de letrinhas.

                                   Para fazer justiça a tantos textos, tenho colocado nas redes sociais links para alguns que passaram mais despercebidos, ou forma escritos num tempo de menos leitores.

                                   Portanto, mesmo que o texto inicial seja o mesmo por um tempo, há muita leitura sendo feita lá no meio, lá atrás! 

                                   Quem não tiver acesso aos links, basta ir trocando de página e poderá ler o que quiser, quando quiser, do jeito que quiser. 

                                   Você são a razão de tudo, pois a escrita é solitária, mas a leitura, quanto mais compartilhada, melhor!

                                    Grande abraço!

                                                                               Maria Luiza

 

domingo, 12 de março de 2017

HUMANIDADE DESCARTÁVEL



                          Mudanças, evolução, modernidade, pós-modernidade, tecnologias, redes sociais, celulares, correria, estresse, violência, suicídios.
                         Marcas do tempo. Desse tempo. Do tempo de todos os que permanecem vivos.
As mulheres e os médicos não têm mais tempo de esperar que os bebês achem seu tempo de vir ao mundo e sua retirada da barriga da mãe já é marcada nas primeiras consultas do pré-natal.
                        Mesmo quando a mãe não trabalha, assim que possível o bebê já é entregue a uma creche, escolinha, depósito de bebês, seja o nome que derem a quem se encarrega de apresentar o mundo àqueles serzinhos ainda tão pequenos. E quanto mais tempo as crianças permanecerem na escola, mais chances de harmonia terão em seus lares e mais tempo de mexer no celular seus pais terão. Não faz muito tempo que as casas não tinham sequer televisão... e como as crianças brincavam! E como liam!
                        As consultas escolares são feitas nos celulares dos pais e o professor universal se chama Google. Nada de enciclopédias, de folhear livros, de consultar em diversas fontes. Ao invés de desenhos, páginas impressas e muitos joguinhos eletrônicos lançando sua luz perigosa nos olhos jovens.
                       Antes, quase todas as casas tinham um velho, um idoso ou idosa para ser cuidado pela família. Agora, lugar de velho é no asilo, ou que nome deem a essas casas onde eles passam o dia suspirando, silenciosos e tristes ao lado de outros velhos. Se for doente, então, irá imediatamente para uma clínica, pois ninguém tem tempo de atender suas necessidades. Depois de morto, os parentes, que não se dispuseram a dedicar seu tempo livre a cuidar do idoso, muitas vezes se engalfinham em brigas feias pela herança do pobre coitado.
                       Quando os casamentos terminam, os companheiros são logo substituídos e os filhos vivem se equilibrando entre dois ou mais lares e tentando se adaptar. “A fila anda” é o jargão mais usado, recheado de insensatez e irresponsabilidade, como se se tratasse de uma linha da produção onde fossem sendo descartados os produtos com defeito, deixando passar só os perfeitos. Pior são os casos de quem não aceita o fim do relacionamento e decide matar quem o abandonou e se matar também. Isso quando não mata os filhos e parentes da vítima junto. Donos da vida e da morte portanto.
                       Os mortos eram velados nas salas de suas casas e um laço de veludo preto era colocado no lado de fora, anunciando que ali havia um velório e que os vizinhos e os passantes deviam respeitosamente manter silêncio nas redondezas. Depois, passaram a ser velados nas capelas, uma vez que muita gente mora em apartamentos e outros não querem aglomerações ou lembranças tristes na sua casa. Agora, melhor logo transformar tudo em cinzas, jogá-las em algum lugar e sumir com os vestígios daquele ente nem tão querido, economizando as visitas e flores ao cemitério.
                       Assim, o nascer e o morrer já não são naturais e sim determinados por essa humanidade cada vez mais descartável.
                       Tudo o que foi dito não são críticas e não se destinam especificamente a ninguém. São constatações de quem, além de viver, passa o tempo a pensar a vida.




sexta-feira, 10 de março de 2017

O ESCRITOR




Ninguém escolhe ser escritor.
O escritor é sempre escolhido.
E os que, por ventura ou desventura, fizerem essa “escolha”, quase que certeiramente não serão bem sucedidos.
O escritor é um ser que se alimenta de ideias e se manifesta por letras. Quando não consegue se expressar, vai ficando sufocado, como se as palavras estrangulassem sua garganta.
Tido como ermitão, o escritor precisa de momentos de reclusão e paz, possibilitando que as ideias, sempre muitas e até contraditórias, se organizem, tornem-se claras, permitam a transferência do cérebro para os dedos, para a tela, para o papel.
Nem sempre a inspiração surge no momento adequado, por isso, blocos e canetas se escondem em todos os cantos da casa, em todas as bolsas, todos os bolsos, para que as ideias não se percam e possibilitem um adequado desenvolvimento das mesmas em seus momentos criativos, sempre solitários.
Quem vive de escrever – e esses são raros – podem adaptar sua rotina e horários aos momentos criadores.
Já quem escreve porque gosta, precisa e quase não tem nenhum retorno prático com isso, deve ludibriar a rotina a fim de conseguir a plenitude do momento tão especial, que é o de dar vida às suas criações e seus personagens.
Aparentemente solitário, na verdade o escritor é super povoado internamente, tem um mundo interior vastíssimo e preza, mais do que tudo, as pessoas que interagem nesse mundo, fazendo eco aos seus pensamentos e à sua forma de ser e viver. Trocas de cartas, de e-mails, de recados nas redes sociais também fornecem o combustível necessário a quem privilegia a palavra escrita.
O silêncio de quem escreve é apenas aparente, uma vez que sua cabeça fervilha, as vozes gritam, as situações se sucedem e os dez dedos no teclado tornam-se insuficientes para extravasar tudo o que surge, muitas vezes, aos borbotões.
Em outros dias a cabeça descansa, bloqueia, se recusa a sugerir o que quer que seja e essa é a única vantagem de não se escrever profissionalmente, pois, nesses dias, podemos nos dar o direito de desligar a máquina e alimentar o espírito com boas leituras e com a observação da vida e das pessoas, o que constitui, em última análise, o combustível para tudo que se cria.
Mesmo aposentada do magistério, tenho uma rotina puxada de filha, mãe, avó e dona de casa.
Para driblar a escassez do tempo e do clima adequado à criação literária, acordo muito cedo, encho minha caneca de água gelada e escrevo em paz até que o resto da cidade acorde e os barulhos interrompam a fluidez do pensamento. Ou que o relógio indique que o primeiro compromisso do dia se aproxima. Esta é a minha rotina, acredito que cada escritor tenha a sua. Quando era mais nova e meus filhos crescidos estavam na Universidade, meu horário preferido de escrever era à noite. Hoje não. À noite estou esgotada, burra, sonolenta e não sai nada que preste.
Mudei. Mas continuo escrevendo, porque fui escolhida para fazer isso pela vida afora.
Muitos apreciam e leem meus livros. Ainda bem.





ESCREVER É COMUNICAR!




Escrevo quando sinto que preciso transbordar... e quero, cada vez mais e melhor, dominar a difícil arte de escrever fácil! 


                           Há quem goste da linguagem rebuscada, pomposa, oriunda dos livros que o escritor leu e da mediação dos professores catedráticos que lhe prepararam, exímios na arte exibicionista de complicar as palavras, esperando, assim, serem elevados a um patamar acima dos alunos e dos leitores.
                          A linguagem é, sobretudo, comunicação. Se não foi entendida, não comunicou; perdendo, assim, sua primordial função.
                          Palavras são bonitas ou feias, sonoras ou desafinadas. Quando em conjunto, devem se harmonizar e produzir algo que viaje ao encontro do interlocutor, ou leitor; que desbloqueie seus segredos, provoque sua sensibilidade e o faça se transformar, para melhor, ou para pior.
                         Não há razão para a escolha da sintaxe mais complicada, ou de palavras difíceis, de pouco uso e quase nenhum entendimento. O texto, assim, vira um “livro técnico”, destinado unicamente aos iniciados na literatura acadêmica, aos plagiadores inconfessos dos mestres, atingindo um grupo muito restrito, formando aqueles questionáveis “círculos de leitura”, cujas conversas costumam girar sempre em torno dos mesmos nomes e dos mesmos títulos.
Infelizmente, são esses os vencedores dos atuais “grandes concursos literários”. São esses julgadores que exigem que se conte uma história em apenas uma lauda e meia. Uma história sem personagens, nem diálogos, apenas elucubrações de uma cabeça atormentada, debatendo-se entre os fantasmas que o conduziram até ali.
                         Será uma nova tendência literária?
                         Será a causa da diminuição geométrica do número de leitores?
                         Ou, quem sabe, vale a premissa de que “quantidade não é qualidade”?
                         Nesse caso é. Porque um povo que lê deixa de ser escravo de sua própria ignorância e consegue avaliar muito melhor sua passagem pelo mundo, fazendo melhores escolhas, determinando suas metas, alargando horizontes e se permitindo sonhar, divagar, viajar nas páginas que lê.
                        Com a nova e empolada escritura dos jovens escribas, perde a literatura, perdem os leitores e se perde ele próprio.
                       Pena.




quarta-feira, 8 de março de 2017

DISQUE 180!

                             Se existe um dia dedicado às mulheres, se alguém achou necessário criar um dia assim, certamente não foi para que as mulheres ricas, amadas e felizes ganhassem mais presentes, mais flores, mais homenagens e saíssem para jantar fora pisando em tapetes vermelhos. Para isso, bastava ser amada pela pessoa certa.
                           Desde o início, o Dia Internacional da Mulher veio como um alerta  para as injustiças, a discriminação, as humilhações e os abusos impostos às mulheres, sempre consideradas o sexo frágil, o sexo fraco, o sexo sem vez nem voz. Mulheres escravizadas, submissas, extorquidas, ganhando menos para desempenhar as mesmas funções, com dupla jornada de trabalho, assediadas se bonitas, humilhadas se feias, se sentindo responsáveis sozinhas pelos filhos que geraram junto com alguém.
                          O Dia da Mulher também não foi criado para mulheres que gritam palavrões na rua, usam o corpo sem respeito algum, agridem as outras mulheres, matam, roubam, sequestram, vendem drogas, como o pior dos homens. Nem para mulheres que fazem filhos e depois os jogam nas ruas, ou os maltratam e abandonam.
                          Esse dia foi criado para chamar a atenção para as mulheres que batalham, que se esforçam, que procuram conquistar seu espaço e devem ser valorizadas e respeitadas. Para as meninas que sofrem investidas de pedófilos desde a mais tenra idade, muitas vezes em seus próprios lares, geralmente dos homens que sua mãe, uma mulher sem valor algum, coloca para viver perto dos filhos. Para as mulheres que veem seu homem chegar bêbado e já distribuindo sopapos, agressões cada vez mais violentas até acabar no fio da faca ou na bala do revólver.
                         Um dia para dizer que a mulher tem o direito de se vestir como melhor lhe aprouver sem que isso signifique, necessariamente, que ela está “se oferecendo” e “merece” ser estuprada. Que pode dançar como quiser, sozinha se preferir, sem medo de ser violentada. Para as mulheres dizerem que não querem ser símbolos sexuais, mas ter o direito de se sentirem bonitas, inclusive no ambiente de trabalho.
                        Mais do que um dia da Mulher, esse dia é um alerta para os homens, que voltaram à idade da pedra e estão matando suas mulheres, noivas, namoradas, quando elas não desejam mais ficar ao lado deles. Homens covardes que não hesitam em assassinar os próprios filhos, ou os parentes da mulher, na ânsia de fazê-las pagar pelo crime de não amá-los mais.
                       Nesse 8 de Março denuncie!
                       Disque 180 para cada criança molestada sexualmente ou espancada. Para cada mulher com hematomas e desculpas esfarrapadas. Para cada jovem perseguida e estuprada na volta da escola ou do trabalho. Para cada jovem abusada apenas porque é bonita e sabe dançar. Para cada funcionária despedida ou prejudicada porque não se agradou do assédio do seu chefe ou de um colega.
                      Não se omita! As flores podem esperar. Mais urgente é denunciar, encarcerar os agressores para que as flores não precisem ser colocadas sobre uma lápide no cemitério.
                     Para as mulheres “normais”, amadas e felizes, um abraço carinhoso.