quarta-feira, 24 de maio de 2017

ESTÁ DEMAIS!



                      Não, não se trata de saudosismo, mas os exageros devem ser coibidos em todas as gerações!
                      Não vou repetir a lenga-lenga de que minha geração vem do fogão à lenha ao forno de micro-ondas. E do telefone de manivela aos ultramodernos celulares. Isso vocês já sabem.
                      Agora, o uso que se fazia e o que se faz do telefone é que mudou demais!
                      Eu, sempre na contramão, nem gosto de falar ao telefone. Me esquenta a orelha, cansa o braço e não satisfaz. Ganhei um aparelho mais moderno no qual não sei fazer quase nada, inclusive, sei lá se por mau uso ou inaptidão, ele faz ligações bem piores do que o antigo. Vive na “caixa de mensagens”, enfim, é bonitinho, mas ordinário!
                       A dependência que as pessoas (inclusive algumas já com certos anos de vida) têm do celular é crescente. Na sala de embarque dos aeroportos já existem totens cheios de tomadas para que os cristãos permaneçam plugados até a hora do voo e, mesmo dentro do avião, eles teclam até o último minuto permitido.
                       Participei de um grande evento há poucos dias no qual, ao término da sessão principal, algumas pessoas já haviam postado imagens no Facebook e se gabavam de contar cinquenta “curtidas” em suas fotos, isso apenas dez minutos depois.
                       Na sala de espera de um Shopping, aguardando para entrar no cinema, vi um casal de namorados “conversando” pelo teclado do celular. Um ao lado do outro trocando mensagens. Não consigo achar normal!
                       Em outro sofá havia uma família, se é que se pode chamar de família um homem, uma mulher e dois adolescentes, sentados lado a lado, cada um no seu mundinho privativo, teclando sem trocar uma palavra, como se estivessem em planetas diferentes.
                       As pessoas dirigem falando ao celular, caminham pelas ruas com os fios do celular na orelha, trocam de celular todo ano e são absurdamente dependentes das redes sociais.
                      Em contrapartida, são alienados da vida real, bocejam a qualquer tentativa de diálogo, não valorizam o contato físico, o olho no olho, a entonação da voz. O que foi criado para aproximar as pessoas está cavando um abismo entre elas. Os melhores amigos são os que estão dentro do computador e pouco importa se as fotos não são autênticas ou atuais; na verdade, a vida real interessa bem pouco.
                       Assim caminha a humanidade. É mais do que um título de livro e filme, é a marcha célere sem destino fixo, ou conhecido.
                       Muitas coisas estão mudando, sempre mudaram; no entanto, agora as mudanças são mais acentuadas e envolvem todas as gerações e os conceitos adquiridos desde muito tempo.
                      Nós, os sobreviventes, vamos nos adaptando às transformações, dançando conforme a música, tentando não reclamar e economizando na expressão “no meu tempo”.
                      Pois bem, essa compulsão eletrônica vai chegar a algum lugar, com certeza!  Vai causar, quem sabe, uma solidão real incalculável, ou ensinar seus adeptos e se conformarem com os carinhos, os cuidados e a proteção de uma telinha, ou telona, substituindo os abraços e os beijos para os quais nossos braços e nossa boca foram feitos.
                      Quem viver verá!



UM LIMITE TÊNUE



                         Sempre fui adepta do politicamente correto, do respeito mútuo, de medir as palavras, fazendo sempre prevalecer o bom senso e evitando atritos. Fui educada assim. Em casa e na escola aprendíamos que a nossa liberdade termina quando começa a do outro.
                         Pois bem, acontece que hoje estamos em desvantagem, somos atropelados por uma geração que diz o que quer, ofende, usa e abusa do “escárnio e maldizer” dos trovadores antigos. E ficamos calados, engolimos a raiva, sufocamos as respostas, tudo em nome de um polimento em desuso, descontextualizado e, pior, nada valorizado.
                         Nas amizades virtuais, oriundas das redes sociais, nem sempre existem afinidades verdadeiras e somos apresentados a pessoas, através da rede de amigos, que dificilmente fariam parte do nosso círculo de amizades real, pois não dariam certo junto.
Por tudo isso, vivemos num limbo perigoso, cuidando para não escorregar para lado algum, obrigados a ver fotos que nos desagradam profundamente, a ler comentários que nos revoltam e a silenciar diante de coisas as quais reprovamos com veemência.
                        Não vejo ninguém criticar negros, nem poderia, pois só mesmo a criação das tais as “cotas” vieram acirrar uma diferença racial totalmente superada.
                         Nunca li nenhum tipo de agressão aos gays. Pelo contrário, eles usam e abusam das redes sociais, publicando todo tipo de desafio e até algumas inconveniências e todo mundo fica quietinho, não diz nada, se faz de morto para não entrar em polêmica. Tudo o que é para ser feito entre quatro paredes e que não diz respeito a ninguém é esfregado na nossa cara, esperando provocar alguma reação para poderem gritar que somos homofóbicos.
                          Respeitamos todas as religiões, não se vê ofensas a nenhum líder de igreja alguma e, quando nosso maior representante chega ao país, só sorrisos, só amor, de coração aberto, precisamos aguentar toda sorte de impropérios, calados como sempre, em nome de uma educação em desuso e de uma conveniência inexistente.
                          Na política é um pouco diferente. Só há dois lados, um a favor do Governo e outro contra e, nesse assunto, muitos já começam a se rebelar e a manifestar suas opiniões, Claro que causando profundas discordâncias, algumas ironias e até ofensas trocadas.
                          O limite entre a sinceridade e a falta de educação é muito tênue. Não se pode dizer tudo o que se pensa nas redes sociais. Elas servem mais como cartão de visitas, álbum de fotografias, troca de amabilidades. Mais do que isso deve ser tratado por e-mail, ou telefone.
                            A escolha dos “amigos” que aceitamos deve ser criteriosa e não devemos hesitar em descartar aqueles que nos desagradam com suas postagens, suas fotos e seus comentários desagradáveis, ofensivos e maldosos.
                          Cada um sabe o que procura no mundo virtual. O segredo é se juntar somente àqueles que buscam coisas semelhantes e enriquecem nossos momentos diante do computador.
                          É bom que saibam que “quem cala consente” não se aplica nessa situação. A gente cala porque é educado, porque não gosta de baixaria, mas isso não quer dizer que a gente concorde, ou esteja aprovando certas coisas que publicam nas redes sociais.
                            Para diminuir a indignação temos dois caminhos: ou manifestamos abertamente nossa opinião, ou mudamos de turma...
                           A escolha é sua.



REDES SOCIAIS



                        Vou agora mexer num vespeiro, mas a reflexão se faz necessária diante da frequência com que o mundo faz uso dessa nova criação tecnológica.
                        Bem, a tecnologia permitiu e fomentou a criação das redes, entretanto, elas só terão um caráter social se usadas adequadamente.
                        Pelo uso indevido, muitas pessoas acabam desistindo de fazer parte das mesmas, amargando decepções e problemas, muitas vezes complicados e de efeitos muito sérios.
                       Volta e meia sabemos de alguém que cancelou suas páginas e se afastou alegando desinteresse, enfado, necessidade de dar mais atenção à família e aos amigos reais, ou ressabiados com coisas desagradáveis publicadas.
                      A seleção dos amigos é muito importante, mesmo que volta e meia a gente aceite a solicitação de quem não deveria, por chatice, ou porque seu nome não passa de mera figuração, já que jamais interage conosco.
                       Há quem contabilize os amigos numericamente quando, na verdade, os que realmente importam - e se importam - não passam de uma ou duas dezenas.
                        O objetivo da rede social deve ficar bem claro para nós e para quem interage conosco. Uns a utilizam para preencher os dias, driblar a solidão, compartilhar trabalhos, rever amigos, conhecer pessoas interessantes.
                        Outros para exercitar seu narcisismo, ostentar um ego inflado, espalhar suas frustrações e neuras, posar de bons samaritanos, despertar a inveja e a cobiça dos outros e até para ofender desnecessária e covardemente (porque protegidos) seus desafetos, ou quem pensa diferente.
                        Como todo modismo, acredito que vai passar, ou, pelo menos, sofrer modificações.
                        Não há como se eternizar tanta receita, tanta piada de gosto duvidoso, tanta discussão política, tanta novena!
                        Sei que, para alguns, a rede social é a única companhia a preencher suas limitações físicas e, nesse sentido, é uma descoberta maravilhosa.
                         Para outros (meu caso) é uma vitrine importante para seus trabalhos e estudos.
                        Dificilmente conheceríamos os filhos e netos de nossos colegas do Ginásio, que a vida se encarregou de afastar, se não nos tivéssemos reencontrado por aqui.
                        Portanto, sabendo usar, é uma grande arma contra a solidão e para o conhecimento mais profundo de quem só conhecíamos superficialmente, ou nem isso.  Interagindo, a gente acaba por descobrir verdadeiramente a melhor parte dos amigos.
                       É bom salientar, no entanto, que mesmo com essas características aglutinadoras, as redes sociais nunca substituirão a “visita de compadres” e o abraço apertado dos amigos reais.


segunda-feira, 22 de maio de 2017

QUE DINHEIRO MAL EMPREGADO!


                              Milhões, bilhões, trilhões...
                              Usados para o pior destino possível, que são as campanhas eleitorais mentirosas.
                              Políticos sérios não precisariam andar nos palanques mentindo para o povo, nem prometendo o que nem pensam em cumprir, muito menos gastando dinheiro e paciência dos telespectadores e ouvintes nesses horários políticos que ninguém vê, nem ouve. Bastaria apresentar uma ficha de trabalho limpa, bons antecedentes e vontade de trabalhar para o povo, sem aquela montanha de assessores de coisa nenhuma, bajuladores ganhando fortunas para não fazer nada em prol de quem paga impostos, ou precisa muito de assistência.
                              Milhões, bilhões, trilhões...
                              Dinheiro que poderia ser usado para construir escolas em cada canto do país, para pagar professores, para equipar hospitais e pagar melhor médicos e enfermeiros, comprar remédios para distribuir à população carente, alimentar quem não tem o que comer, equipar as polícias para deter a escalada da violência e das drogas. Quanto o país poderia melhorar com essas somas, depositadas criminosamente nas contas pessoais de políticos corruptos e partidos sem vergonha!
                              Milhões, bilhões, trilhões...
                              A maioria dos brasileiros jamais teve mais de seis dígitos em suas contas bancárias. Trabalhando de sol a sol a vida inteira, pagando altos impostos religiosamente e juntando trocados para poder pagar os estudos dos filhos e fazer uma viagenzinha nas férias. Sem falar nos que mal tem o que comer e onde morar, ainda que trabalhem duro em empregos mal remunerados, compatíveis com sua pouca instrução.
                              Milhões, bilhões, trilhões...
                              Valores aumentados em progressão geométrica, graças às benesses advindas dos bancos do povo, do dinheiro do povo, criminosamente usado pelos políticos corruptos em troca de favores pessoais. Dinheiro esse que poderia resolver uma imensidão de problemas desses incautos que vão para as ruas apoiar quem lhes roubou, que defendem quem não soube e não quis ajudá-los de verdade e preferiu acalmar a fome de comida e de justiça com discursos inflamados e mentirosos.
                             Milhões, bilhões, trilhões...
                             É o tamanho da nossa indignação, do nosso descrédito, da nossa revolta.
                             Se enxugassem os assessores desses políticos lesa pátria, se deixassem no máximo cinco partidos apenas e os honestos se abrigassem sob eles, já sobraria muito mais do que cestas básicas e bolsas família para a população carente. Porque essa infinidade de partidos nanicos só serve para vender votos, vender tempo no horário político, fazer conchavos e exigir cargos. É uma aberração desnecessária, quando, na maioria dos países, apenas dois partidos dividem os políticos. Já aqui temos essa proliferação de sanguessugas.
                             Milhões, bilhões, trilhões...
                             Que essa quantia só seja usada em benefício do povo, que os desonestos sejam banidos da política para sempre e obrigados a devolver o que nos roubaram.
                            Só assim nosso país voltará a crescer, livre dessa influência pestilenta de quem só pensa em se servir e nunca em servir, quando o político verdadeiramente vocacionado deveria ser aquele que sente o desejo de servir ao seu semelhante.
                            Esperamos que esse remédio tão amargo sirva para que jamais elejamos como nossos representantes quem não tiver um passado absolutamente limpo e uma vontade visceral de ajudar, de servir, de melhorar o Brasil e a vida dos brasileiros!